“Crê-se no homem […] mas deixa-se de lado os homens seres humanos reais, que muitas vezes sequer têm condições de desenvolver o mínimo de sua capacidade racional, pois mesmo com tantos avanços, a humanidade não superou problemas básicos, como a fome, o analfabetismo, a distribuição desigual de renda entre outros.”
(Revista Filosofia, pág. 22, ano IV – Nº 45)
Nunca se acreditou tanto na superioridade da racionalidade humana. Nos últimos dois séculos, a razão humana “avançou” muito, porém muitos passaram a acreditar que através do uso da razão é possível resolver todas as coisas, isto é, sem uso de emoções e tudo mais, pois com o grande “avanço” da racionalidade e da ciência, o homem nega ainda mais as emoções. O culto à razão e ao homem relega o homem real, escondendo as mazelas da sociedade, como fome e desigualdade. O homem hoje, se encontra inserido tomado por muitas questões e problemas, e deveria se perguntar sobre a sua própria existência, enfim. Cada vez vemos mais presente o individualismo.
Nas décadas de 60 e 70, os jovens procuravam respostas aos anseios acreditando haver um modo de vida em que todas as pessoas tivessem as mesmas oportunidades e vivessem de forma semelhante. A racionalidade sobrepunha-se à religião e cada vez mais frases como “A religião é o ópio do povo”, de Karl Marx, tornavam-se conhecidas. Sabe-se que esta frase surgiu num período em que houveram várias crises políticas, problemas sociais e outros, graças à, principalmente, introdução do capitalismo na sociedade. Tais problemas só existiram por culpa do próprio homem. A fome, a desigualdade e as guerras são criações humanas. O egoísmo burguês instaurou a moral burguesa, vigente até os dias de hoje, como na bandeira de nosso país além de ter submetido todos os membros do grupo familiar ao capital.
O culto ao homem, que fazia vê-lo como dono do mundo, trouxe como conseqüência algumas características encontradas na sociedade atual- capitalista industrial - tais como a velocidade do desenvolvimento rápido de novas tecnologias, bem como o aumento da produção e ampliação dos níveis de consumo. É importante lembrar que essa tecnologia humana está desintegrando rapidamente grande parte de processos ecológicos, que sustentam o meio ambiente natural e que são a base de sua própria existência.
É certo que, a partir das diferentes visões acerca do Renascimento, principal movimento que levou à cultuação humana, podemos colocar duas posições frente a frente e compará-las. A primeira refere-se aos pessimistas, que percebem a época como um período turbulento, tanto politicamente quando socialmente. Para eles, é impossível não perceber no Renascimento a falta de uma unidade religiosa e política, as guerras intermináveis e problemas de mesma ordem. A segunda refere-se aos otimistas, que tinham uma nova posição diante da natureza e do conhecimento. Junto à perda da unidade religiosa, que era a igreja como instituição, o conhecimento deixa de ser encarado como uma revelação e passa a ser resultado de uma boa condução da atividade do pensamento. Está certo que o conhecimento não é revelado, e que a igreja católica da idade média cometia absurdos, mas a revolução humana contra isso, o renascimento, teria que ter limites. Afinal, foi por causa desses mesmos humanos que a humanidade tomou os rumos em que está, se analisarmos a história.
O que devemos fazer, então, diante de uma sociedade capitalista na qual parece ser impossível não aderir ao sistema e às suas imposições? É de grande importância, principalmente, reconhecermos a limitação humana, pois foi graças à ação desordenada desta e de sua cultuação que vários problemas sociais surgiram, numa onda de pensamentos pragmáticos e do abandono das dúvidas metafísicas, em grande parte e aceitarmos a imposição de uma unidade governamental muito maior, metafísica.
Para reflexão: “a emergente sociedade burguesa apresentava necessidades urgentes que desafiavam os cientistas”
À tais necessidades foram apresentadas respostas por meio da sociologia, a ciência burguesa, no entanto, até hoje não foram resolvidas. [ironia mode=”on”] O homem é mesmo merecedor de tanta cultuação, não é mesmo?[/ironia].