sexta-feira, 25 de junho de 2010

culto ao homem.

Crê-se no homem […] mas deixa-se de lado os homens seres humanos reais, que muitas vezes sequer têm condições de desenvolver o mínimo de sua capacidade racional, pois mesmo com tantos avanços, a humanidade não superou problemas básicos, como a fome, o analfabetismo, a distribuição desigual de renda entre outros.
(Revista Filosofia, pág. 22, ano IV – Nº 45)

Nunca se acreditou tanto na superioridade da racionalidade humana. Nos últimos dois séculos, a razão humana “avançou” muito, porém muitos passaram a acreditar que através do uso da razão é possível resolver todas as coisas, isto é, sem uso de emoções e tudo mais, pois com o grande “avanço” da racionalidade e da ciência, o homem nega ainda mais as emoções. O culto à razão e ao homem relega o homem real, escondendo as mazelas da sociedade, como fome e desigualdade. O homem hoje, se encontra inserido tomado por muitas questões e problemas, e deveria se perguntar sobre a sua própria existência, enfim. Cada vez vemos mais presente o individualismo.

Nas décadas de 60 e 70, os jovens procuravam respostas aos anseios acreditando haver um modo de vida em que todas as pessoas tivessem as mesmas oportunidades e vivessem de forma semelhante. A racionalidade sobrepunha-se à religião e cada vez mais frases como “A religião é o ópio do povo”, de Karl Marx, tornavam-se conhecidas. Sabe-se que esta frase surgiu num período em que houveram várias crises políticas, problemas sociais e outros, graças à, principalmente, introdução do capitalismo na sociedade. Tais problemas só existiram por culpa do próprio homem. A fome, a desigualdade e as guerras são criações humanas. O egoísmo burguês instaurou a moral burguesa, vigente até os dias de hoje, como na bandeira de nosso país além de ter submetido todos os membros do grupo familiar ao capital.
O culto ao homem, que fazia vê-lo como dono do mundo, trouxe como conseqüência algumas características encontradas na sociedade atual- capitalista industrial - tais como a velocidade do desenvolvimento rápido de novas tecnologias, bem como o aumento da produção e ampliação dos níveis de consumo. É importante lembrar que essa tecnologia humana está desintegrando rapidamente grande parte de processos ecológicos, que sustentam o meio ambiente natural e que são a base de sua própria existência. 
 
É certo que, a partir das diferentes visões acerca do Renascimento, principal movimento que levou à cultuação humana, podemos colocar duas posições frente a frente e compará-las. A primeira refere-se aos pessimistas, que percebem a época como um período turbulento, tanto politicamente quando socialmente. Para eles, é impossível não perceber no Renascimento a falta de uma unidade religiosa e política, as guerras intermináveis e problemas de mesma ordem. A segunda refere-se aos otimistas, que tinham uma nova posição diante da natureza e do conhecimento. Junto à perda da unidade religiosa, que era a igreja como instituição, o conhecimento deixa de ser encarado como uma revelação e passa a ser resultado de uma boa condução da atividade do pensamento. Está certo que o conhecimento não é revelado, e que a igreja católica da idade média cometia absurdos, mas a revolução humana contra isso, o renascimento, teria que ter limites. Afinal, foi por causa desses mesmos humanos que a humanidade tomou os rumos em que está, se analisarmos a história.


O que devemos fazer, então, diante de uma sociedade capitalista na qual parece ser impossível não aderir ao sistema e às suas imposições? É de grande importância, principalmente, reconhecermos a limitação humana, pois foi graças à ação desordenada desta e de sua cultuação que vários problemas sociais surgiram, numa onda de pensamentos pragmáticos e do abandono das dúvidas metafísicas, em grande parte e aceitarmos a imposição de uma unidade governamental muito maior, metafísica. 

Para reflexão: “a emergente sociedade burguesa apresentava necessidades urgentes que desafiavam os cientistas”
 
À tais necessidades foram apresentadas respostas por meio da sociologia, a ciência burguesa, no entanto, até hoje não foram resolvidas. [ironia mode=”on”] O homem é mesmo merecedor de tanta cultuação, não é mesmo?[/ironia].

sábado, 19 de junho de 2010

razões do coração.

Como já disse o filósofo francês Blaise Pascal, “o coração tem suas próprias razões, que a própria razão desconhece". Mas o que será que ele quis dizer com isso? Acontece que as razões do coração são, na verdade, sentimentos humanos, que, ao contrário do que muitos têm dito ultimamente, são muito importantes.

Nossa sociedade, que considera a religião como superstição e perda de tempo, pensa que já chegou ao ápice do raciocínio humano, dizendo que com a razão podemos resolver nossos problemas e que devemos nos apartar dos fatores externos, dos sentimentos. Tudo isso não passa de influência estóica (aquele que é impassível, imperturbável e insensível), que diz que apenas pela razão conseguimos adquirir felicidade. Portanto, é preciso que o homem descubra suas limitações quanto ao uso de tal razão, limitações estas, perdidas quando encontrado o antropocentrismo.

Caro leitor, você acha coerente o fato de a sociedade ser submissa à uma imposição constante sobre que roupa usar, o que comer, o que escutar, o que dizer, como VIVER? O homem é constantemente pressionado para ser aceito na sociedade, em seus padrões sociais determinados por ela mesma e acaba buscando o consumismo e o divertimento, que nada mais fazem do que criar uma satisfação pessoal provisória, escondendo um grande vazio e depois da momentânea sensação de prazer que promovem, levam o indivíduo ao seu próprio marasmo, como num ciclo vicioso. Mas o que seria esse vazio? A falta de sentimento, que está sufocado no peito das pessoas, tão presas ao concreto e aos valores IMPOSTOS à elas. Percebe, leitor, que graças à sociedade, que impõe padrões que não satisfazem plenamente o indivíduo é que ele vai se tornando melancólico e depressivo (depressão, mal do século), que não é a condição normal do ser, sendo considerada uma doença?

Sabe-se que hoje vivemos em uma sociedade extremamente doente na qual as pessoas já passam a não se impressionar nem tentar mudar o que tem ocorrido ultimamente de forma irregular. Mas o que tem ocorrido? Além de crimes violentos, temos também uma indústria que trata animais como meros objetos e também uma sociedade que se importa mais com o concreto, com o dinheiro do que com seu próximo, isto é, os indivíduos que compõem a própria sociedade, exceto algumas mentes transgressoras de tal fato social. A grande massa muitas vezes não tem acesso à informação, fato consequente da desigualdade social. É por isso que vamos caminhando causando nossa própria destruição, sendo obrigados a abandonar o sentimento e aderir ao culto do próprio ser humano. Devemos largar o amor e agir com indiferença? Em nossa sociedade atual, é certo que sim, como já fora dito. Ainda sim, antes de aceitar essa realidade, me pergunto: já que a raça humana conseguiu chegar ao ápice, e já que é ela que comanda os rumos do mundo, por que é então que vivemos em um mundo tão desigual? Por que é que há tanta destruição? Seria a raça humana, perfeita e merecedora de tanta superioridade e cultuação?


Para reflexão: "O último esforço da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam." Pascal

sexta-feira, 18 de junho de 2010

introduzindo nossas ideias.

Intuito: aproximar pessoas que pensam de modo semelhante e convidar pessoas a descobrirem algo essencial para a vida do ser humano.

A ideia principal do blog é discutir o fato de nossa sociedade estar de cabeça para baixo, com seus valores invertidos, como todos sabemos, bem como conscientizar pessoas à mudança, ao agir ao invés de apenas falar e ouvir sobre o assunto. Basta ligar a televisão para comprovar um pouco de tal realidade. Duas das consequências desse fato nos motivaram a escrever esse blog. São elas: o crime, dentre outros problemas atuais muitas vezes não impressionar mais,  bem como a depressão e demais distúrbios psicológicos, consequência dessa sociedade doente e os modos de escape de tal doença, como o consumismo e a diversão momentânea, que no final das contas só leva o homem ao seu próprio marasmo, criando um ciclo vicioso.

É preciso o ser humano admitir sua limitação, ignorada a partir do surgimento do antropocentrismo. Também faz-se necessária a retomada do sentimento, uma vez que sua falta ou desprezo provocam uma milícia interna com o próprio eu interior. É fundamental destacar que por tais assuntos serem considerados perca de tempo em nossa sociedade, é que ela se encontra em tal situação: doente. Muitas pessoas se desencontraram de seu eu interior, de sua essência. É nossa intenção mostrar o caminho de volta à elas (nada de auto-ajuda, nem de ironismo).

Já dizia a música: é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há.

Necessitamos voltar ao sentimento, tão desprezado em nossa sociedade. Basta de tanto falar, é hora de agir, sermos parte de uma nova geração e seguirmos um caminho realmente bom.